aimer, pas se fier
c'est le ding dong du coeur
la cloche des enamourés
terça-feira, 19 de julho de 2016
Hypokeimenos chronos
la grande et dernière question,
répondez pour la souffrir!
sera le présent amorcé
le futur du passé
ou le passé de l'avenir?
répondez pour la souffrir!
sera le présent amorcé
le futur du passé
ou le passé de l'avenir?
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Turvo
Odeio poetas turvos!
Que pensam para rimar
Rimas internas dóceis
Apenas palavras torpes,
Umas rimas engraçadinhas,
Como se a vida transigisse
Entre a absoluta culpa do caos
E o abismo do sem-sentido.
Rime a vida - que esvai,
Na dor, nadador dos nadas,
Com a fétida trama da teodiceia.
Que pensam para rimar
Rimas internas dóceis
Apenas palavras torpes,
Umas rimas engraçadinhas,
Como se a vida transigisse
Entre a absoluta culpa do caos
E o abismo do sem-sentido.
Rime a vida - que esvai,
Na dor, nadador dos nadas,
Com a fétida trama da teodiceia.
Esfinge
Ah, menina que me atinge
Sabe mal quanto lhe adoro!
Nosso amor é mera esfinge:
Não decifra, eu te devoro.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Paris
"Paris! Paris!
Rêve de tous les brésiliens
(excepté celui qui fait ces piètres petits vers libres)"
Carlos Drummond de Andrade, em Improptu.
Enquanto as flores
entram em Paris pela avenida elísia
os caminhos de Roma a
Lutécia escondem destroços
ossos, carcaças,
parcas, sujeira e violações.
Entrar em Paris, mas
por qual caminho?
Para Paris há duas
rotas, há dois lados.
Um lado das Mesdames.
De longe elas vêm para
casar
ou para encontrar
diversões nas compras da Capital sorridente.
Seus maridos, ou
filhos, ou simplesmente homens,
vêm a Paris para ver a
Tour
e as pernas morenas das
meninas do terceiro mundo
que ficam esperando na
Bois de Boulogne
por seu tesão de
infelicidade.
A tensão feliz que
possibilita que a outra Paris possa existir.
Quanta bondade!
No outro lado, a Paris
encrespada,
dos negros e das putas,
e dos árabes
assimilados.
Dizem amém em latim
nas igrejas do quartier latin
enquanto seus avós
torcem pelo Estado Islâmico
e para que o Rafale do
mesmo árabe
que poderia ser seu
filho
seja bombardeado por um árabe (ou Berber)
que grita glória a
Deus
- e também poderia ser
seu filho.
Abro guias de viagem
falando sobre Paris.
Cidade-luz, pernas nas
bicicletas, homens bonachões
Onde quero encontrar
alegria
só vejo a mesma imagem
suja da minha terra natal.
- A Europa nos ensinou a
sujeira
e vive querendo nos
ensinar como limpar.
Seus homens lambuzam-se
e regozijam-se
Da cana tomada, da
grana importada e da morena.
Sim, a morena eles
lambuzam e se deleitam.
E, por absurdo, que podridão!,
Propagandeiam a devassidão
De uma terra que eles
mesmo devastaram -
Paris, Paris, tu és tão torpe quanto minha São Paulo,
Só tem mais desfaçatez, querida...
O assombro
Encontro na rua o poeta
Amargo, soturno e ateu;
"Para onde fostes, alegria?!"
( murmura com tal agonia )
e a rua espelha em covardia,
Ai, deus,o poeta sou eu!
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