terça-feira, 7 de abril de 2015

Ao Presente

À tristeza, maldita chaga,
Que nos afaga, lançando ao chão
Aos renegados e aos sem saga,
Revolta e envolta, a solidão.

Ao corpo frio na terra seca,
Tudo o que lembra a imensidão,
Tudo o que é vil ao que peca.
Menos a falta e a doação.

Tantas meninas, tantas mensagens
Tantas tristezas e vais e vens:
O desperdicío da alegria.

Tanto de corpo jaz consumido
Tanta esperança, num já assíduo,
Tempo de fé e apatia.

Corpos Dados Sem Amor


Que lembrança trará a vida do autor,
Qual trilha virá da linha do texto,
Se o dado que aninha o texto é sexo
E o corpo da gente exige o amor?


Promete o céu e a terra.
Pantera faz um escarcéu:
língua lá na alta esfera,
concha, lua e aluguel.

Gente feita sem amar
Corpos frios, imensidão,
Beijos beijam sem beijar,
Corpos castos que se dão.

Querendo riso e piedade,
Murmúrio, entrega, gratidão,
Veio gemido e vaidade,
Ventre, vai, fluído, altercação.

Quando percebe: oh, maldade!
Palavra impura e tão rasteira,
Vazio do após a incastidade
Vazio durando a vida inteira.

É sempre no passado o orgasmo,
escreveu um dia o bem-dizente,
pois no corpo só resta o espasmo
que dificulta o amor presente.