sábado, 5 de julho de 2014

Dois Sonetos para Laís

I-
Oh, Rosa de muitos espinhos
Ainda maiores são teus carinhos
E a perdição que é tua boca
Também a paixão quando me toca.

Morena rosa, em ti cativo
Sinto-me vivo, sinto-me prosa,
É o teu beijo o meu alívio
Ai, tua pele é pecaminosa.

Entregue a ti e aos teus caprichos
Amo-te tanto, sou como um bicho,
Linda mulher minuciosa.

Rosa morena, morena rosa,
Rogo pra nossa história veloz
Que creia no amor, creia em nós.

II-
Ela um dia me disse adeus
Ai, deus, então pus-me a rogar
Se ela um dia me abandonar
Rogo, senhor, leve-me aos céus.

Ela me disse não é amor
Amor, lhe digo, com exatidão
Eu curo em ti a solidão
Cura em mim meu desvalor.

Como saber então ao certo
Ou com acerto o que nos há?
Se uma certeza o corpo dá

Quando lhe pego e lhe aperto
Quando me beija e me enlouquece:
Não há mais pressa, não há mais prece.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Aos Covardes Fardados

Armado de violência,
Deu nem bom dia
Deu sim um soco
Na moça esguia.

Armado de violência
E de covardia
Uns homens broncos
à luz do dia.

Estúpido e incoerente,
Seguidor de leis formais.
Qual razão te faz
sentir-se apartado da tua gente?

Farda pose obediência
Alckmista com suas bombas
frente ao povo em consciência
"Permanece! Vai! Não tombas!"

Dizem da violência estatal
Como se o estado fosse um homem
Com porrete, porra e nome.
Mas não!
O Estado é um objeto.
O Estado pertence a poucos
com muitos capangas pagos.
Aqueles lucram como loucos,
Estes nos distribuem afagos.

O meu afago cheirou pimenta,
queimou meu olho e secou minha boca.
De tantas dores me acalenta
Saber da nossa resposta rouca.

De isso tudo, uma lição:
Se eles hoje contêm revoltas,
Não conterão a Revolução.