sexta-feira, 18 de abril de 2014

Noite Ocídua


à L.
Ocídua a noite
entrega a língua tua
passos, tatos, restos, rua.

Ocídua a noite
chegando já ao ocaso
danos, panos, somos, caso.

Ocidua a noite,
no teu ranger de dentes
ai, rogo, não mais me tentes.

Oh, dama, da noite ocídua
abriga-me em teus braços
que o mundo se harmoniza

Recosto é minha espádua
de teu cansaço e alegria
carrego em minha anágua
o corpo denso, a língua macia.

Oh deusa, tão linda e breve,
ocídua tal como a noite,
lanço-me em teu corpo leve
pois temo que tu se amoites.

Se amoitares o meu amor
na tua boca bem decídua
não duvides, não foi pouca
nossa noite, noite ocídua.

3 comentários:

  1. Adorei

    Só que agora postar anônimo não tem graça, você vai saber que sou eu...rs

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  2. O melhor poema do seu blog, com a melhor musa inspiradora, sem sombra de dúvidas.

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  3. Concordo com o comentário acima

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